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Disco    
   

Grupo: Anja Garbarek
Título: The Road Is Just A Surface (The Original Full-Length Theatrical Version)
Ano: 2018
Editora: Drabant Music
Formato: Digital

Os 13 anos de silêncio editorial de Anja Garbarek foram finalmente quebrados com a chegada de «The Road Is Just A Surface», um disco que nos leva questionar como foi possível sobrevivermos sem a presença musical ativa da compositora norueguesa.

Esta música foi escrita como se tratasse de uma banda-sonora de um espetáculo de palco fictício e foi mesmo levada a cena nas cidades de Oslo e Bergen. Agora, em disco, está disponível em duas edições diferentes: uma que contém as 10 magníficas canções e outra, ainda mais rica e muito recomendada, intitulada «The Road Is Just A Surface (The Original Full-Length Theatrical Version)», que completa as canções com todas as vírgulas sonoras de ligação, aumentando substancialmente a qualidade dramática desta obra, com um ganho adicional de imersividade no cenário sónico imaginado pela autora.

Anja Garbarek compõe música que encanta pela delicadeza que a envolve, mas também pela estranheza que a toca na dose exata para não afugentar ouvidos mais sensíveis. Música inclassificável que orna as canções com uma fragilidade cristalina, diretamente devedora do magnífico registo vocal da cantora, mas também de uma intensa densidade trazida por sintetizadores sci-fi, como contraponto emocional de alguma instrumentação clássica, com violoncelo e piano a destacarem-se neste papel de busca de conforto. Para além disso, conta com inúmeros momentos de ligação, as tais vírgulas, que deitam mão de diversos sons gravados (sirenes, velhos telefones, alarmes, respirações, portas, obetos metálicos em colisão, ...) e de percussão milimetricamente desenhada para amplificar a qualidade narrativa e dramática de uma música que assim se torna visual, cinemática, permitindo que mergulhemos numa sala escura para melhor nos apercebermos dos magníficos ambientes de luz, por vezes negra, desenhados por Garbarek.

Belo, intenso, estranho, dramático, questionante e sedutor. Que mais poderíamos pedir a um disco?

     
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