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Grupo: Disappears
Título: Lux
Ano: 2010
Editora: Kranky
Formato: CD
O quarteto de Chicago Disappears apresenta-se ao público com o álbum «Lux», um disco que viu a sua edição em risco com a falência da Touch & Go, mas que acabou por encontrar na experimentalíssima Kranky um inesperado, ainda que insuspeito, lar de acolhimento, que o recebeu de braços abertos.
O caso não é para menos! Mesmo numa editora cuja tradição em quase nada se relaciona com o rock seria difícil equacionar o desprezo a um disco com uma sonoridade que, conscientemente, nada traz de novo ou revolucionário, mas que propõe - com argumentos sólidos e sem pretenções de grandiosidade - uma descida simultânea aos fundamentos do kraut e do garage-rock.
«Lux» é um disco feito de luz negra, em que a precisão rítmica deixa uma profunda marca de repetição dinâmica, à qual se juntam sons de guitarras roufenhas que parecem ecoar ainda as vibrações escapistas dos sons ouvidos nas caves dos Velvet Underground, e ainda vocalizações que surgem camufladas de discurso, bem enlaçadas nas triangulações constantes entre ritmo, tensão e energia. Tudo embrulhado por uma consciência clara que o som assim produzido é tremendamente eficaz na canalização psicadélica de desejos escapistas, nada arrastando para além de limites conhecidos.
Em «Lux» os Disappears recuperam muita da imediatez e militância do punk e incendeiam cada canção com assombrações sónicas em estado delirante, fazendo-nos recordar boa parte do muito que o rock, na sua facção mais libertária, tem de apreciável. Não é novo, mas é muito bom!
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