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Grupo: Githead
Título: Art Pop
Ano: 2007
Editora: Swim
Formato: CD
Obs: Distribuído por Ananana
Constituído por 4 estrelas à medida do cenário arty que sucedeu à explosão provocada pelo punk, os Githead ameaçaram ser apenas uma pequena brincadeira montada em honra a um evento específico (o 10º aniversário da editora Swim) para, ao 2º álbum, se tornarem num caso muito sério de talento, equilíbrio, inovação, experiência e criatividade. «Art Pop» evidencia tudo isto num condensado musical atractivo e inteligente!
Vamos às partes: Colin Newman (inglês) é um músico por demais conhecido entre os cultores atentos da produção musical punk e pós punk, tendo passado boa parte da sua carreira a criar géneros para, de seguida, os questionar com a mesma diligência e sabedoria. O seu percurso com os insuspeitos Wire, primeiro, e a solo, depois, transformaram o músico britânico num elemento respeitável, cuja irreverência artística sempre parece levá-lo a encontrar novas formas de expressão; Malka Spigel (israelita), sua mulher, destacou-se nos Minimal Compact com o minimalismo do seu baixo e a sua voz sulfúrica, ajudando a desenhar um conceito de música intelectual que fez escola na Bélgica e Holanda no decorrer dos anos 80, lado a lado com os inesquecíveis Tuxedomoon e um conjunto de músicos que ali encontrou exílio artístico e mesmo político; Max Franken (holandês) foi o elemento europeu adicionado aos Minimal Compact quando se tornou evidente que aquele trio israelita necessitaria de um baterista que assegurasse o dinamismo dos espectáculos ao vivo; já Robin Rimbaud (inglês) tem-se ocupado com o seu projecto a solo, Scanner, com o qual desenvolve uma apertada relação entre som, ambiente, imagem e forma, criando música e instalações artísticas que equacionam a tecnologia e as suas interpenetrações com a esfera social envolvente.
Se «Art Pop» se limitasse a somar os talentos de cada um dos elementos do quarteto Githead seria já um disco notável, de eficácia garantida. Mas a sua busca de movimentos de impulsão criativa que se manifestem em formato musical consegue burilar os seus talentos individuais, que encontram na conjugação de esforços a combinação exclusiva que faz deste disco uma peça de joalharia desenhada com cuidado e rigor, mas também com o brilho próprio dos tesouros exclusivos.
As vozes de Newman e Spigel alternam-se ou recombinam-se em lugares novos e estranhos. As guitarras processadas são o elemento de choque e ruído, milimétricamente disposto sobre os desenhos electrónicos de Rimbaud, que sustentam com pormenores os vapores inundantes que torneiam cada canção, envolvendo-as num veludo suave, mas desconhecido. Depois há o ritmo. Franken bate nas peles com a mesma precisão demencial que provavelmente observa nos seus pacientes, quando no dia a dia troca a bateria pela bata de enfermeiro de psiquiatria.
Tudo isto combinado eleva «Art Pop» ao estatuto de manifesto artístico de alta relevância, em que a encruzilhada de diferentes expressões e géneros resultam num disco incatalogável, em que os estilhaços de punk, funk, dub, rock, industrial se lambuzam deleitadamente com linguagens cinemáticas e literárias, originando uma obra decididamente pop, maas arrojadamente arty.
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